Sabichões insuportáveis

Fonte: http://tumeconfundes.blogspot.com/2010/02/todo-mundo-nao-esta-certo.html
Fonte: http://tumeconfundes.blogspot.com/2010/02/todo-mundo-nao-esta-certo.html

Por que as pessoas sentem tanto a necessidade de estarem certas? Eis a pergunta que me faço todos os dias. Prefiro me fazer de rogado e concordar com certas afirmações a ter de aguentar desaforos de sabichões orgulhosos. O desenvolvimento humano, econômico, social e político ocorreram – e sempre ocorrerão – com discussões e exposições de ideias; sem verdades absolutas.

Personalidade é uma das características que mais me impressionam, odeio aqueles submissos a toda e qualquer situação. Em contraponto, orgulho e prepotência intelectual são aspectos que mais me causam asco. Não há como uma discussão, ou até mesmo uma conversa banal, desenrolar de modo natural quando um dos interlocutores possui tal característica. O pior de tudo é a crescente proliferação dos “donos da verdade absoluta”.

Pare para pensar: em uma conversa você dificilmente ouve alguém dizer “é verdade, não tinha pensado por esse ponto”. Muito pelo contrário, o que mais se ouve é “claro que não, você tá viajando”. Quase ninguém mais sabe o significado de uma discussão, onde as ideias devem ser expostas, não impostas. Mais revoltante ainda são os casos onde o assunto em discutido tem caráter subjetivo e, mesmo assim, os “donos da verdade” querem estar mais certo que os outros e, não satisfeitos, tentam mudar os valores dos demais.

Fora isso, existe ainda aqueles que amam ser do contra, não importa o assunto. É o tipo de gente no qual seu cérebro se condiciona a receber uma resposta negativa assim que você termina de expor uma opinião ou ideia. Aí meu amigo, o melhor é desencanar e fingir ser um idiota que não entende de nada – não vale o esforço, deixe-o viver em sua redoma instransponível.

Pobrezinhos… não sabem o quão prazeroso é discordar, ser desmentido, argumentar, conhecer novos pontos de vista, enfim: EVOLUIR.

Só uma última observação: caso queiram ser os donos da verdade ao menos acumulem uma bagagem intelectual mínima para a construção de argumentos aceitáveis. Discordar sem embasamento algum simplesmente não dá.

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O que realmente importa

Eles ficam bem melhor de branco. Fonte: r7.com
Eles ficam bem melhor de branco. Fonte: r7.com

Todas as vezes que a seleção brasileira se reúne para alguma competição – na qual irá disputar, ou pelo menos deveria, inúmeras partidas em sequência – surge a já batida discussão a respeito do amor do torcedor pela camisa canarinho. Não há o que se discutir: importamo-nos com a seleção apenas na época de Copa do Mundo e olhe lá. No período do mundial a preocupação maior é em saber como e com quem iremos confraternizar. É bonito ver a molecada toda empolgada pintando as ruas e fazendo coleção de figurinha. Aliás, no ano passado me diverti muito mais trocando cromos com meus amigos do que propriamente com as partidas, a maioria chatíssima por sinal.

Fato é que nenhum torcedor de clube sente palpitações e sua frio ao ver a seleção brasileira passar apuros na defesa. É por isso que gosto do formato mata-mata, pois com todas as suas injustiças ainda é o único sistema que pode proporcionar tensão nos minutos finais de uma final de campeonato.

Legal mesmo é ver disputa de times, quando é possível sacanear e ser sacaneado pelo porteiro do prédio.

Apesar de ter apenas 22 anos já tive a oportunidade de ver o Brasil vencer duas Copas do Mundo. E quer saber de uma coisa? A sensação de ver o Santos campeão da Libertadores há algumas semanas atrás nem se compara às que tive em 1994 e 2002, quando comemorei na hora da conquista e nada mais. Já com a conquista do Santos fiquei gritando na rua até de madrugada e não tinha voz no dia seguinte.

A seleção que me desculpe, mas para mim, o que importa mesmo é meu peixe querido.

O ônus de possuir craques

Lucas e Neymar: junto com Ganso são as maiores promessas para a Copa de 2014.
Lucas e Neymar: junto com Ganso são as maiores promessas para a Copa de 2014.

Perante tamanho intempérie enfrentado por Santos e São Paulo nesse momento do Campeonato Brasileiro – devido aos jogadores cedidos à seleção – a pergunta é: vale a pena ter tantos jogadores bons no time? A pergunta, obviamente, é apenas retórica. Vale muito a pena, que o diga os santistas, em estado de êxtase com a conquista da Libertadores há uma semana. Porém, após a conquista, se viu recheado de desfalques devido ao gabarito dos jogadores que possui em seu staff.

Somente para a seleção principal são três perdas temporárias (Neymar, Paulo Henrique Ganso e Elano) e na próxima semana serão mais quatro (Alan Patrick, Danilo, Alex Sandro e Felipe Anderson) devido ao Mundial Sub-20. Assim, fica muito difícil a conquista inédita da quadrupla coroa, com as conquistas do Campeonato Paulista, Copa Libertadores, Campeonato Brasileiro e Mundial Interclubes. Sonho muito alto? Talvez. Mas não seria tão alto assim caso o time da baixada pudesse contar com todas suas estrelas em tempo integral. É o preço a ser pago por possuir um elenco tão bem qualificado.

No São Paulo o drama é parecido. Até agora “só” perdeu Lucas, o meia que dá criatividade e produz as jogadas mais perigosas para o tricolor paulista. Desde que a jovem promessa foi para a Argentina disputar a Copa América o desempenho de Rogério Ceni e companhia não foi nada bom, para ser sincero, foi horrível: uma derrota de goleada para seu maior rival, Corinthians, e outra para o Botafogo em pleno Morumbi.

Assim, a conclusão que fica é a de que o melhor é ter um time no qual o nível dos jogadores seja apenas bom, nada de craques, pois esses têm grandes chances de serem convocados pela seleção da CBF.

Sem desprezo algum, esse é exatamente o caso do Corinthians. Prova disso é a liderança no Brasileirão mesmo com um jogo a menos que seus adversários. Posto conquistado num mix de competência e sorte. Mais competência do que sorte, diga-se de passagem. Sim, porque Tite parece ter encontrado um sistema de jogo compatível com seu elenco e parece, finalmente, ter conquistado a paz necessária para trabalhar. Algo que não ocorria desde a eliminação fatídica na fase de Pré-Libertadores, sucedido pela aposentadoria de Ronaldo e a perda do título paulista para o Santos. Hoje o Timão é um time equilibrado dentro e fora de campo e mesmo que não consiga manter tal desempenho por todo o campeonato é, desde já, um dos favoritos ao título.

Criatividade enganadora

fonte: exame.abril.com.br
fonte: exame.abril.com.br

O temor da inflação no Brasil já não é exclusividade dos que aqui residem, tanto é que Banco de Compensações Internacionais (BIS) cobrou dos países emergentes, incluindo o Brasil, uma postura mais cautelar, com redução aos estímulos de crescimento e elevação na taxa de juros. Tal exigência visa evitar que a inflação dos países emergentes seja repassada aos países desenvolvidos, afinal, trata-se de grandes consumidores de commodities advindas dos chamados paísesem desenvolvimento. Apósa crise de2008, acrise dos PIIGS na zona do euro e o terremoto que atingiu o Japão o que os países ricos menos querem são empecilhos que possam diminuir o ritmo de recuperação de suas respectivas economias.

            Por aqui Guido Mantega (Ministro da Fazenda) e Alexandre Tombini (Presidente do Banco Central) se recusam a admitir que a inflação é um problema sério e preferem usar de justificativas descabidas na tentativa de acalmar o mercado. Na última sexta-feira o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou o resultado do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), que foi de 0,77% no mês de abril, sendo que no acumulado dos últimos doze meses o índice ficou em 6,51%, ou seja, ultrapassou em 0,1 ponto percentual o teto da meta, que é de 6,5%. Tal resultado fez a luz amarela da economia brasileira se acender e o máximo que o BC consegue fazer para acalmar o mercado é dizer que só irá considerar resultado acumulado de doze meses quando o ano acabar e que não leva em consideração a segunda casa após a vírgula.

Já Mantega disse que “os vilões foram os combustíveis, como gasolina e etanol”, o que, é claro, causa indexação automática sobre inúmeros produtos do mercado devido aos gastos com transporte. Tal argumento não deixa de ter sentido, afinal, o preço do barril do petróleo teve uma ascensão considerável esse ano devido às manifestações no oriente médio além da alta no preço do álcool combustível devido à entresafra da cana-de-açúcar. Por mais plausível que seja, tal declaração só serviu para cumprir ordens advindas do Palácio do Planalto. O Brasil nunca registrou índices de desemprego tão baixos e é ótimo para a imagem política do governo manter tais índices de desenvolvimento por um longo período de tempo.

Soa mais do que paradoxal a declaração de Dilma Rousseff há poucas semanas, na qual disse que “pretende conter a inflação e crescer simultaneamente”. Ela, como economista graduada que é, deveria saber que tal ação é quase impossível, é preciso fazer uma escolha entre baixos índices de inflação ou baixo índice de desemprego, é o que os economistas chamam de tradeoff. O maior poder de consumo da população somado à facilidade ao crédito torna o aumento dos preços algo inevitável. Por isso é soou estranho o aumento de apenas 0,25 pontos percentuais na última reunião do COPOM (Comitê de Política Monetária) quando todo o mercado esperava uma elevação de 0,5 p.p..

Há que se destacar ainda o problema da alta valorização do real perante ao dólar, que chegou a valer R$ 1,56 em abril – menor patamar desde agosto de 2008, quando a crise financeira estava em seu auge. Numa estratégia no mínimo perspicaz, o governo deixou de tratar tal assunto como problema e resolveu tratá-lo como solução. Até meados de abril inúmeras medidas foram tomadas para diminuir o fluxo da moeda norte americana, de caráter especulatório, no mercado nacional, como o aumento do IOF (Imposto Operações Financeiras) para capital estrangeiro – que passou de 2% para 6% –  por exemplo. Porém, no fim do mês decidiu-se que tal contexto macroeconômico iria servir de auxílio para conter a inflação, já que tal situação permite a importação de uma maior quantia de mercadorias, o que torna a inflação mais suave.

E é assim, de acordo com as circunstâncias, que o governo vem agindo. E sempre fazem questão de lembrar que possuem um arsenal de medidas macroprudenciais para manter tudo sobre controle. Restar saber até quando o estoque de criatividade terá duração a ponto de admitirem que o tão temido fantasma da inflação está de volta.

A falta que o poder faz

No mês de abril a presidente Dilma Rousseff irá completar cem dias a frente do Palácio do Planalto, uma data que, se não possuí nenhum valor oficial, carrega alta carga representativa. É quando a mídia se pauta, fazendo inúmeras análises e traçando perspectivas quanto aos rumos do governo federal. A cúpula que dá suporte a Dilma sabe muito bem do peso de tais avaliações e, por isso, não pensou duas vezes antes de colocar a presidente frente às loiríssimas Ana Maria Braga e Hebe Camargo. Tais aparições serviram para humanizar sua figura, sempre atrelada a atos políticos, e até omelete ela se dispôs a fazer no programa Mais Você da rede Globo.

Omeletes a parte, o ex-presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, segue o caminho inverso e raramente tem aparecido na mídia. Sua reclusão tem sido tão catedrática ao ponto de ter sido o único ex-presidente a não comparecer no almoço oferecido pelo Palácio do Planalto ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Tal ausência causou estranheza e foi destaque em vários meios de comunicação com inúmeras interpretações, sendo a mais comum o argumento de que seria e egocentrismo de Lula que não o permitiu ir ao encontro, afinal, é difícil conseguir suportar ser apenas um coadjuvante após anos como protagonista.

O mais inusitado é o modo como o governo de Dilma vem sendo avaliado, dificilmente se ouve ou lê críticas em relação ao modo de agir da atual gestora nacional. Até mesmo os analistas mais ferrenhos, que malharam Lula por oito anos, enxergam e apontam fatores positivos na atual presidente. Ao contrário de seu antecessor, a atual presidente prefere agir em silêncio, fazendo jus à sua mineirice. Essa escolha por trabalho em detrimento de marketing político é visto com bons olhos pela mídia.

À Lula, resta se conformar com a volta à vida normal e mudar completamente o parâmetro de suas preocupações e ocupações. Como, por exemplo, arrumar uma goteira que o afligia em seu apartamentoem São Bernardodo Campo. Pense no paradoxo: há pouco mais de um ano ele se preocupava com catástrofes com repercussão mundial e autorizou o envio de tropas do exército nacional para auxiliar as vítimas do terremoto no Haiti. Hoje, seus feitos mais representativos se resumem a ligações ao encanador mais próximo e eficiente na região do ABC.

É difícil deixar de se relacionar com o poder. O ex-jogador de futebol e hoje comentarista de televisão, Falcão, disse que “Só o jogador de futebol morrer duas vezes” tamanha a falta que faz ser ovacionado por um estádio lotado. Falcão esteve quase perfeito em sua análise, pois deixou de mencionar que ex-presidentes da República também sofrem da mesma síndrome. Por mais que um atleta seja fora de sério, mesmo assim ele nunca terá atenção semelhante ao de um líder de estado, até porque, a diferença de importância entre ambos é mais do que estratosférica.

Durante os oito anosem que Lulaesteve no cargo político máximo do executivo brasileiro o que mais se ouviu é que se tratava de um sujeito egocêntrico que não sabia lidar bem com as críticas. Esse rótulo lhe é designado até hoje e foi o principal argumento dos críticos de plantão ao notarem a ausência de Lula no almoço realizado no último dia 19. O argumento mais comum foi de que Luiz Inácio não quis ser apenas um convidado após anos como anfitrião.

A justificativa de Lula foi a de que ele não quis ofuscar a figura da atual presidente, no entanto, para muitos a razão é totalmente oposta, ou seja, a ausência foi ocasionada porque o ex-presidente teme que as pessoas percebam que Dilma já possuí luz própria.

Difícil julgar ou fazer adivinhações, o real motivo nunca será conhecido. Não importa qual seja a atitude de Lula ele nunca terá sossego, existem pessoas que parecem esperar qualquer ação do ex-presidente para já sair desferindo críticas ao seu modo de agir.

O lado humano dos políticos nunca é levado em consideração quando se faz uma análise. Ao deixar o posto mor da política nacional Lula passou a ter um desafio muito maior do que sanar a pobreza do Brasil, que é lidar com a síndrome do vazio que passou a assolar seu cotidiano. Antes, a solução dos problemas tinha caráter político e exigia trabalho e racionalidade. Agora, Lula convive com o desafio de enfrentar a si mesmo, numa batalha psicológica no qual o objetivo final é se conformar com o fato de que agora ele nada mais é do que um ex-presidente.

Faltar ao almoço organizado por Dilma Rousseff parece ter tido razões muito mais humanas do que propriamente política ou egóica.

Primeiro passo dado

Antes de começar a assistir ao jogo da seleção sub-20 me veio a pergunta “Será que vale a pena ficar acordado de madrugada para ver essa molecada jogar?”. Pois o primeiro tempo me deu uma resposta mais do que satisfatória graças, principalmente, ao talento e ao brilho de Neymar. Jogar futebol parece algo fácil e simples quando a bola se encontra nos pés da joia santista.

Coletivamente o Brasil não teve uma boa atuação, parecia nervoso, não conseguia acalmar o jogo, tornando a partida uma correria descabida. Todos os gols surgiram de jogadas individuais ou de contra ataques fulminantes, com ligação rápida entre defesa e ataque.

Além de Neymar, também brilharam as estrelas dos são paulinos Lucas e Casemiro, responsáveis, aliás, pelas jogada de dois dos quatro gols. É preciso tomar cuidado porém com o elevado número de cartões recebidos pelos brasileiros, sendo dois vermelhos inclusive, de Zé Eduardo e Henrique.

Em se tratando de uma estreia o mais importante é vencer, tirar o peso inicial das costas e ganhar tranquilidade para seguir firme na caminhada em busca de uma das duas vagas para as Olimpíadas de Londres em 2012. Tal missão foi cumprida com méritos, apesar dos inúmeros sustos e sufocos que o Brasil tomou. Coletivamente o Paraguai realizou uma partida mais sólida, só que, felizmente, eles não tem Neymar e nós sim.

Humanizar, eis o erro

Nascer, viver, morrer. Esse é o processo natural da vida, mais do que natural, é inevitável. O que fazer então? Viver. Viver da forma mais intensa possível, correndo riscos, tendo decepções, obtendo conquistas, bons momentos e, principalmente, se apaixonar, de preferência o maior número de vezes possível. Embora possa parecer pessimista, as melhores paixões são as platônicas, aquelas que ficam somente no mundo da imaginação e nunca chegam a ser concretizadas.

Explicado de modo científico, a paixão nada mais é do que uma explosão de dopamina no sistema nervoso; o hormônio do prazer causa aceleração dos batimentos cardíacos e a melhor sensação humana possível, uma mistura de ansiedade, alegria e vontade de viver, enfim, ao menos por um instante o mundo parece ser perfeito. Eu gosto tanto desse sentimento que adotei a filosofia de um amigo “Se você se encanta por uma garota, por mais maravilhosa que seja, não a humanize, se não você corre sérios riscos de perder esse prazer ao apreciá-la”.

Se tratado de modo científico, a paixão nada mais é do que o efeito da dopamina. Fonte: bawasama.blogspot.com
Se tratado de modo científico, a paixão nada mais é do que o efeito da dopamina. Fonte: bawasama.blogspot.com

Não entendeu nada? Pois eu explico. Todo muno já teve ter tido a experiência de se encantar alguém no primeiro dia de aula. Mas, e sempre existe um “mas”, com o passar do tempo, e com a convivência, você descobre defeitos e manias nessa pessoa, fazendo com que o encanto se vá. Nesse caso, você humanizou a figura do admirado/a, o que, consequentemente, fez sua admiração se esvair. É por isso que sou um apreciador das paixões platônicas.

Mas calma, não é o fim do mundo. Paixões eternas existem: são aquelas em que a atração entre dois seres é tão grande a ponto de ir contra as leis da ciência e fazer com que o cérebro libere dopamina por tempo indeterminado. Esse é o tipo de relacionamento onde não existe humanização, é quando até mesmo os defeitos do parceiro se tornam atrativos sublimes.